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quinta-feira, 28 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Fugindo da Rotina

Por onde andei?
Por onde estive em minha longa ausência?
Seguia eu minha reta caminhada, em meio às curvas sinuosas da Serra dos Órgãos, dia após dia, em um longo e ininterrupto "up and down". De repente, em uma curva dessa estrada, piscou uma placa de "ATENÇÃO" em minha consciência. Ela dizia: "Cuidado! Longo trecho de rotina a 500 metros". Gelei. Pisei no freio. Parei para um café. Espantei o sono. E desliguei o piloto automático.
E a minha promessa de não mais existir apenas, e sim viver intensamente cada instante? Estava indo por estrada abaixo...NÃO! Liguei o motor do carro e rapidamente...seta para esquerda. Esquerda volver...mudança de planos.
Interrompi temporariamente a linha "Teresópolis-Vila Isabel", acessei a net, e em uma teclada tudo estava resolvido. Em poucos dias, estaria rumo a outro destino. Argentina!
Terra do tango de Gardel, do futebol de Dom Diego Maradona, do orgulho revolucionário de Ernesto Guevara de La Serna, enfim...terra onde coexistem a cordialidade e a rivalidade com o país de Luis Inácio. Nações onde a afinidade e a latinidade superam a velha disputa: Pelé x Maradona. E lá estava eu...muito bem acompanhada por um marido que dentre outras qualidades, é um grande companheiro no que diz respeito a quebras de contratos baseados na rotina.
O diário de viagem não é o tema principal deste relato, ficando para um próximo momento de inspiração. O fato é: Eu fui. Nós fomos. Voltamos renovados. Prontos para retomar a estrada nossa de cada dia. Prontos para enfrentar novamente a mesmice inerente à vida de todos nós.
Foi dado início ao segundo round. Volto do corner cheia de energia. E aqui estou com ar renovado...até que a rotina me afaste novamente...
"Hasta la vitoria, siempre!"

domingo, 3 de maio de 2009

My friend Nietzsche

"Não somos rãs pensantes, nem aparelhos de objetivação e máquinas registradoras com vísceras congeladas. Temos constantemente de parir nossos pensamentos de nossa dor e maternalmente transmitir-lhes tudo o que temos em nós de SANGUE, CORAÇÃO, FOGO, PRAZER, PAIXÃO,TORMENTO, CONSCIÊNCIA, DESTINO, FATALIDADE - VIVER. "
Friedrich W. Nietzsche - in: Gaia Ciência

sexta-feira, 1 de maio de 2009

We all live in...

...a YELLOW SUBMARINE...
Em 12x sem juros...no cartão!
PS: recomendo não tentar entender. Trata-se de uma compulsão muito particular...

domingo, 26 de abril de 2009

Sigmund Freud - Biografia

A 06 de maio de 1856 nasceu em Freiberg, Sigmund Freud o criador da psicanálise. No ano 1877, abreviou o nome de Sigismund Schlomo Freud para Sigmund Freud. Freud foi o filho mais velho (entre sete filhos) do terceiro casamento de Jacob Freud e Amalia Freud. Devido a má situação econômica, a família mudou-se para Viena, Áustria, onde o pai estabeleceu um comércio no bairro Leopoldstrasse.
Em fevereiro de 1923 foi descoberto um tumor maligno, imediatamente foi feita uma cirurgia. Freud tinha que usar uma prótese. Após 33 cirurgias, tinha dificuldade em falar, mas mantinha suas atividades de rotina, abandonando apenas os problemas do movimento psicanalítico.
Casou com Martha Bernays. O casal teve seis filhos, um dos quais, Ana, tornou-se discípula, porta-voz do pai, e psicanalista. Em março de 1938, quando da invasão da Áustria pela Alemanha, com a intervenção do diplomata americano William Bullitt e de um resgate pago por Marie Bonaparte, Freud e sua família deixaram Viena indo para Londres, residindo em Maresfield Gardens 20; hoje Freud Museum.
Freud faleceu em 23 de setembro de 1939, depois de ter estado dois dias em coma, a seu pedido recebeu três injeções de três centigramas de morfina, com a concordância de Anna Freud.
Freud continua tão polêmico hoje em dia como na época em que esteve vivo. É idolatrado pelos seus seguidores, mas também é visto como um mistificador, principalmente porque após década de 1990 com as descobertas da neurociência, muitos dos princípios fundamentais da psicanálise são questionados.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Brasil, o país das "Malcom"

Sabemos que o Brasil é um país de diversidades. Diversas raças, diversas culturas, diversas classes sociais, e como não poderia faltar, diversos grupos de indivíduos identificados por determinada característica singular. É nesse grupo que encontramos as "Malcom".
O grupo das "Malcom" é composto apenas por mulheres, já que o correspondente masculino recebe outro nome e tem características peculiares, que não são o assunto deste texto. Essas mulheres, têm idade variando entre 15-75 anos, sendo sua grande concentração encontrada na faixa dos 40-55 anos. O estado civil predominante é "casada", porém não podemos excluir as viúvas e as solteironas, tipos bastante característicos da classe.
Temos "Malcoms" atuando nas várias áreas profissionais. Mas sabemos do tropismo desta classe pelas repartições públicas, bancos, diretorias de escolas, e hospitais. Podemos também encontrá-las nos cursos livres de pintura em porcelana, ponto de cruz, francês e culinária. Podemos nos deparar também com alguns espécimes na profissão favorita das "Amélias" do Brasil: as "do lar".
O tipo físico predominante tem características patognomônicas: baixinhas, gordinhas, hirsutas, cabelos ressecados, sobrancelhas grossas e seios abundantes. É claro que há exceções...
As "Malcom" costumam usar óculos de leitura pendurados por uma correntinha dourada ou de pérolas falsas. O cabelo é pintado, na maioria das vezes e há sempre uma raiz branca aparecendo. Usam muitos colares tipo bijou, coloridos e trançados entre si. A maquiagem é excessiva e sempre incompatível com a ocasião. Preferem roupas largas, de seda ou crepe, geralmente em tom pastel. A roupa íntima é invariavelmente bege e do tipo "calçola". Muitas usam anáguas. O lencinho bordado na bolsa é presença quase obrigatória.
No que se refere ao lazer, encontramos muitas Malcom em shoppings, matinês de cinema no Largo do Machado, cabeleireiros, igrejas, mesas de "biriba", bingos, cafeterias tradicionais, aulas de hidroginástica, chás beneficentes, pet shops, supermercados, e pasmem...em consultórios médicos. Isso mesmo...ir ao médico é o lazer favorito da maioria delas.
No consultório médico, o comportamento é quase uniforme, independente da especialidade em questão: são poliqueixosas, com dores que migram de um lugar para outro, dormências, cefaléias crônicas, hálux valgo, doenças da tireóide, depressivas, obesas, com frequentes dores no peito, asmáticas, com micoses nas unhas, cálculos renais e biliares, labirintite, fadiga, logorréicas e insones. Muitas vezes possuem sintomas e sinais de difícil correlação anatômica ou fisiológica, tipo: nó na barriga, ovo na cabeça, cólica no tornozelo, "estralos" difusos ao acordar, coração que pára de "respirar" à noite, dentre outros mais bizarros. São facilmente identificadas logo na chegada aos consultórios e clínicas, pois vêm sempre com uma sacolinha de exames bastante recheada, com no mínimo uma Ressonância Magnética e um exame de Sangue. Possuem múltiplas receitas dos vários profissionais antes consultados, sendo todos incompetentes. Conhecem todos os medicamentos, já usaram vários e nenhum adiantou, ou então são alérgicas...Há também os medicamentos que abaixam muito a pressão, provocam cólicas, tiram o sono, ao contrário do que é previsto em suas características farmacológicas.
Por fim, o diagnóstico sindrômico é sempre o mesmo para todas as variações descritas..."Síndrome de Malcom". O tratamento não tem mistério, e é fornecido gratuitamente na maioria das vezes (há quem prefira pagar). O problema maior é que as próprias "Malcom" rejeitam o tratamento em sua forma completa, ficando sempre insatisfeitas e agravando a síndrome a cada tentativa de um novo "medicamento". Nestes casos cronificados, lançamos mão dos antidepressivos, benzodiazepínicos, analgésicos e anti-eméticos. Trata-se de um tratamento sintomático e com taxas altas de insucesso, levando a maioria das "Malcom" a solicitar atestados médicos e declarações para perícia, a fim de se "encostarem pelo INPS".
A cada dia que vivo e ando por esse Brasil afora, me deparo com mais e mais mulheres contaminadas pela síndrome. O índice de crescimento das taxas de morbi-mortalidade vem assustando a população não acometida pela doença, já que esta é que sofre com os surtos de irritabilidade e má vontade das mulheres acometidas. Temo que até 2010, 2/3 da poulação feminina do país esteja contaminada por alguma forma da doença, o que seria uma enorme tragédia no que diz respeito às relações sociais e profissionais inerentes ao nosso dia a dia.
Confesso que por várias vezes já me peguei pensando em uma solução definitiva para tal síndrome, mas no fundo, sei que a mesma não está nos livros...a solução está em levar uma vida saudável na esfera conjugal, seja em uma simples "ficada" ou em um casamento beirando as bodas de prata ou de ouro. No momento em que a mulher "Malcom" estiver aberta para reconhecer seu parceiro ideal e se render aos caprichos de uma boa noite sexo, não importando a frequência, creio que a incidência da síndrome diminuirá vertiginosamente.
Em suma, a solução é literalmente "Relaxar e Gozar"!!!

segunda-feira, 23 de março de 2009

"O mundo está ao contrário e ninguém reparou..."

Vejam só esse absurdo do mundo moderno, noticiado hoje pela Folha de São Paulo:
"Transsexual espanhol anuncia estar GRÁVIDO de gêmeos".
A questão é a seguinte: Um indivíduo na Espanha, há 25 anos, nasceu mulher, porém decidiu ser homem (???). De Estefania Corondonado, passou a ser Rubén Noé (???). O fato é que "Rubén" manteve os órgãos reprodutivos femininos.
A Sra. (Sr.) Rubén, namora uma espanhola, Esperanza Ruiz, 43 anos e mãe de dois filhos (pobres coitados). Desde então, manifestou a vontade de ser pai, o que julga ser perfeitamente normal. Decidiu-se por fazer uma inseminação artificial, o que o levou a interromper seu tratamento com testosterona, e a adiar seu projeto de operar a genitália. O resultado foi uma gravidez gemelar, de alto risco, já que a Sra. Rubén é epilética e corre sérios riscos de parto prematuro desencadeado por uma crise convulsiva.
Em declarações à imprensa, disse achar "normal uma gravidez de um transsexual", e que o mundo está mudando e já é hora das pessoas se acostumarem com tal fato. Diz também ser preciso acabar com "tabus sociais".
Como se não bastassem tantos absurdos, Rubén revela claramente que vai explorar sua gravidez diante da imprensa, afirmando que a "bomba" é sua e que isso lhe dá o direito de ganhar algum dinheiro ($$$) com isso, já que se não o fizer, outros ganharão...
Sabe-se que já há uma negociação ($$$) com dois canais de TV na Espanha para veicular uma entrevista com "o gestante".
Penso não ser necessário qualquer comentário a respeito desse absurdo anti-natural, e de potencial risco psicológico e social aos demais envolvidos indiretamente ou não no caso, sem ter ao menos direito de opnião ou escolha. Não se trata de uma postura preconceituosa, mas sim zelosa de minha parte. Opção sexual é algo muito individual, mas não podemos fechar os olhos a determinados exageros cometidos por parte de alguns indivíduos, que acham que quebrando protocolos de normalidade, do ponto de vista social, estarão conquistando espaço para melhor compreensão de seu status sócio-cultural e sexual. Wrong way!
A sociedade moderna em que vivemos, já vem sendo bastante condescendente com fatos outrora considerados amorais e imorais. O que não quer dizer que nós, satisfeitos com a sexualidade que nos foi fornecida geneticamente, tenhamos que aceitar algumas situações de extrema bizarrice, como esta protagonizada pelo espanhol. Existem casos e casos...e estes coexistem com eventuais atrocidades praticadas por cidadãos, médicos e juízes, além de terem apoio de uma minoria, que ignora tudo que gira em torno de uma decisão polêmica como esta. Aventureiros do presente, incapazes de imaginar um possível dano futuro aos seus descendentes.
É lamentável!

domingo, 15 de março de 2009

Eu penso...

"Mesmo que tudo o que penso seja falso, resta a certeza de que eu penso".
(René Descartes)

terça-feira, 10 de março de 2009

Fenomenologia e Existencialismo por Fernando Pessoa...

"Quanto mais fundamente penso, Mais profundamente me descompreendo. O saber é a inconsciência de ignorar.
Do fundo da inconsciência Da alma sobriamente louca Tirei poesia e ciência, E não pouca Maravilha do inconsciente! Em sonho, sonhos criei, E o mundo atônito sente Como é belo o que lhe dei".
Fernando Pessoa (in, O Horror de Conhecer)
Leia, pare e pense...

Calvin...nosso amigo hiperativo...

ONTEM...
HOJE...
Esse é o nosso bom e velho Calvin...e dá-lhe Ritalina!!!

domingo, 8 de março de 2009

Se enlouqueci, foi na hora certa!

Sumida? Eu?
É verdade! Sumi porque comecei de novo...O que? Tudo!!! Recomecei a viver, como se tivesse nascido ontem...e isso dá trabalho, sabe?
A semana foi bastante intensa. Muita informação nova, novos percursos, novo horário de acordar (5:00hs....arghhh), novos colegas, novo hospital e principalmente, uma nova e diferenciada medicina! A mudança não foi apenas a famosa troca do seis por meia dúzia........Girei quase 360° graus....uns 345°, eu diria! Estou um pouco tonta, confesso, porém muito feliz e estimulada.
O papo é outro...passei de botecos, cerveja e papos descompromissados, a sérias discussões filosóficas, psicanalíticas, um tanto cerebrais, um tanto emocionais. Minhas horas vagas, onde lia contos de fadas modernos, gibis e revistas diversas, para descontrair no Pós-operatório de meus pacientes, agora são preenchidas por Nietzsche, Foucault, Husserl, além de Freud, Jung, Lacan, que se misturam a Clonazepan, Haldol, Carbamazepina e sessões de Psicanálise (minhas sessões), onde a catarse é cada vez maior.
Será que enlouqueci? Muitos perguntam em silêncio...Será possível jogar 13 anos de Ortopedia para o espaço, aos 37 anos? Muitos se assustam em segredo...Será que tudo isso vai dar certo? Muitos torcem, muitos acreditam, outros reprovam e duvidam...também em silêncio...
Se enlouqueci, foi na hora exata, antes que eu pudesse me acomodar a uma vida que me trouxe conforto e dinheiro, mas que junto a isso, me trouxe uma nova companheira, que pegou no meu pé, e custou (ou está custando) a me largar: a Depressão! Foi melhor enlouquecer........
Não considero 13 anos jogados no lixo...apesar das (grandes) diferenças, tudo tem sido aproveitado. Experiências são sempre enriquecedoras. Bagagem é algo necessário...Cabelos brancos nascidos deste passado, tem me mostrado amadurecimento, e não envelhecimento...esses, não serão cobertos por uma tinta hipócrita, que insiste em esconder a arte de se tornar mais experiente. Tenho muito orgulho de os ter conquistado.
Se vai dar certo? Também não sei, mas sou otimista. Eu quero, eu posso e vou conseguir! Por que não? Tenho recuperado minha autoestima, meu antigo rótulo de IPC (melhor não traduzir...sigla muito particular...), e minha sede de conhecimento. Isso é renovação!
No mais, despertador a postos, muito cafezinho, uma musiquinha no I pod, a velha paradinha na "Casa dos Queijos" para um pastel, uma Coca-Cola e um biscoitinho Palmier, mochila nas costas, cadernos, livros e agenda (acredite...tenho uma agenda!), e um mundo novo e maravilhoso que me espera diariamente, na esperança de uma vida tranquila e de uma reinserção social... No que depender de mim, farei o meu melhor...e quando minha vitória for alcançada, também comemorarei em silêncio................essa é a regra da vida!
Então, respondo a quem interessar possa: Sumida??? Sim....................Mas muito em breve, estarei de volta...com outra visão social, com uma ebulição de cultura, conhecimentos e emoções, e muitos cabelos brancos...onde cada fio terá uma história bonita pra contar!
"Começar de novo, e contar comigo...vai valer a pena ter sobrevivido" (Ivan Lins)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

As várias faces e fases do leite...

Quando nascemos, uma das primeiras "imposições" sociais que sofremos é em relação ao leite...neste caso, o leite materno. Carregado de pequenas substâncias, íons, proteínas, imunoglobulinas e principalmente de muito amor e cumplicidade, este é o alimento determinante para os nossos primeiros meses de vida!
Aos poucos, quando começamos a nos acostumar com o doce aconchego do seio materno, este nos é retirado, ora gradativamente, ora bruscamente, quando finalmente nossa querida mamãe retorna às suas atividades profissionais. Nova realidade nos é apresentada, o que requer novo período de adaptação. Ficamos reféns dos "Nans". Nan 1, 2, 3.....sei lá quantos existem, mas não importa. Passamos a depender daquelas latinhas, assim como um doente depende de um remédio. Não dependemos necessariamente da nossa mãe...basta uma irmã, avó, babá, tia (da creche), ou até mesmo uma vizinha mais chegada, para nos preparar esse novo alimento. E passamos a adorá-lo, e assim mais uma vez, nos acostumamos com nosso novo leite....o leite em pó!
Eis que crescemos e o tal do pediatra pede que nos seja introduzida a tal comida pastosa. Arghhh........sopinhas, bananinhas amassadas, papinhas Nestlé........e nosso leitinho, fica restrito a dois momentos do dia: ao acordarmos e ao irmos dormir. E mais......adeus mamadeiras.........Virem-se pirralhos, bebam como gente grande. Aprendam a usar um copo... E assim, surgem as roupas manchadas, as noites molhadas, e o terrível cheiro de leite azedo que toma conta do nosso quarto. Começam aí, os pontos negativos da história.......
Aos poucos, já não tão aficcionados pelo sabor do leite, descobrimos novos sabores. Sucos, refrescos, mate, e Coca-Cola! Aí f*** tudo! Passar daquele líquido branco, eventualmente azedo, com natas flutuantes e pegajosas, para um doce veneno negro, que ao colocarmos sob a luz, adquire uma tonalidade avermelhada única, e ainda nos proporciona um lindo espetáculo com o ballet das "bolinhas" que sobem e descem......só podia ser um prêmio para quem sobreviveu aos primeiros anos de monoterapia alimentar. E que prêmio!!! É aí que se dá o início das desavenças entre mães e filhos. -"Toma esse leite, menina! Se não tomar tudo, não vai ver desenho na TV!" E diante das constantes ameaças, o doce sabor da primeira infância torna-se para nós um remédio amargo que representa o regime presidencialista que rege a família. A presidente "Mamãe", sempre soberana, e nós, na base da pirâmide social, tendo que nos render ao momento lácteo obrigatório, para ganhar nosso salário mínimo de cada dia: um delicioso e gasoso copo de Coca-Cola bem geladinho! Com o tempo, nos tornamos adolescentes, chatos e questionadores por natureza...e o pior, cheios de ódio e repulsa pelo tal do leite! Porém, neste momento da vida, já não somos obrigados mais a engolir aquele alvo líquido que habita nossas geladeiras. Chega de vômitos forçados, leites derramados nos vasos sanitários, e nos vasos de flores do jardim. Chegamos até a surpreender nossa presidente do lar, pedindo com carinho, que ela nos prepare um leitinho quentinho (com Nescau), ao fim de uma noite de festa exaustiva. E o que é a vida...mamãe, que sempre nos obrigou a tomar o leite durante anos e anos, grita cheia de raiva por termos chegados além do horário combinado: -"Se quiser tomar leite, levanta, vai até a cozinha e prepara você. Eu já tô exausta, acordada, te esperando até agora, e ainda tenho que fazer leitinho pro nenenzinho esfomeado.....ahhh, essa é boa!" Estamos diante de uma das grandes incoerências inerente ao papel da mãe/presidente em nossa sociedade do lar.
Vem então a fase adulta. Soberania total. Alguns de nós, ainda sob as asas da presidente Mamãe. Outros já alçaram vôo e tomaram rumos diferentes em suas vidas. E o leite? Como fica nessa história? Na verdade, ele passa a ser um mero companheiro de prateleira de refrigerantes e cervejas que habitam nossa geladeira. Fica ali, pronto para ser consumido a qualquer hora do dia, sem repressão, ou opressão. Livre escolha! E sendo assim, corremos dois riscos extremos: O abandono definitivo, ou o exagero.
É nesta fase que entra meu amigo Sig...que para tudo tem uma explicação. Aos que sempre obedeceram a constituição do lar, e tomaram seu leite sem problemas, o prêmio é o equilíbrio. O leite torna-se uma opção eventual, não-obrigatória, e até mesmo saborosa! Aos que sofreram imposições, rigorosas e passaram então a temer o sabor e até mesmo o odor do leite, só cabe o abandono. Trauma violento, irrecuperável, que pode dar origem a quadros graves de fobias, e muito dinheiro gasto em sessões de psicanálise, para que conversando com Sig, possam ao menos conseguir suportar tomar um café da manhã na companhia do cônjuge, que simplesmente adora o sabor do leite, e insiste em se despedir com um leitoso beijo na boca! Arghhh........
O terceiro e último tipo de reação merece um parágrafo exclusivo! Sig ao conversar comigo, confessou ser este o caso onde o tratamento é mais difícil e a longo prazo. Nele, se enquadram os indivíduos que sofreram imposições, assim como nos dois casos acima, porém por rebeldia nata, se afiliaram ao partido "do contra" e peitaram as ordens presidenciais, até mesmo quando sentiam vontade de tomar toda aquela caixinha de leite que estava na geladeira. Era uma questão de subversão, onde a vontade própria e os desejos, haviam que ser superados pela alegria da contestação. E assim reprimindo a sede que ora existia, resistiam bravamente em nome de uma ideologia que mais tarde os levaria a um grave transtorno obsessivo-compulsivo. Obsecados por leite, procuram compulsivamente por ele nas prateleiras do supermercado, enchem a despensa com caixas fechadas compradas no atacado e entopem-se do líquido branco dia a dia, o que torna-se um hábito que perdura até a mais "tenra idade". E onde está o problema, então? Ahhhh......o problema encontra-se na minoria, que se privou do leite por ideologia durante tantos anos, e agora carrega em si, uma vontade compulsiva de consumo, não só pelo leite, como pelos seus derivados, produtores, comerciantes, e criadores de gado. A compulsão passa a ser não só alimentar, mas também, de cunho sexual. O desejo aflora de imediato nessas pessoas, simplesmente pelo fato de sentirem um cheiro, ou escutarem uma palavra que as faça lembrar o leite. Rapidamente, o indivíduo é tomado por sentimento de paixão obsessiva, que pode levá-lo a fazer loucuras para conquistar sua presa leitosa. Eu e Sig, temos um caso único em tratamento, onde o indivíduo chegou a extemos inimagináveis para alcançar seu objeto de desejo. Gastos desmedidos, perseguições, telefonemas, chats na internet e até mesmo viagens internacionais. Tudo isso para ficar mais perto de alguém que para ele representa uma forte ligação com o leite não ingerido na infância por pura pirraça. Um caso raro de desejos acumulados, onde o leite fica aí representado pela figura de alguém que de alguma forma possui ligação com alguma fonte ou lugar onde ele possa ser obtido: padarias, fazendas de gado, supermercados, lactários e até mesmo maternidades!!! Em última análise, concordamos, eu e Sig, que trata-se de um caso onde a cura completa é difícil de ser alcançada. Podem haver períodos de remissão, porém sempre com a expectativa de um retorno arrasador dos sintomas. É psicanálise para o resto da vida!
PS: este texto deveria ser um relato de caso, mas por questões éticas, e de amizade, tornou-se apenas um relato elucidativo de uma patologia e seus diferentes desdobramentos.
Dedico este texto a uma grande amiga, de quem estou morrendo de saudades...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um Bicho com Mais do que 7 Cabeças

Para quem quer ver um verdadeiro drama familiar, que termina na abordagem da realidade manicomial no Brasil, assista ao filme "Bicho de 7 Cabeças". É uma obra densa, dramática e real, que aborda com sensibilidade um tema bastante polêmico e atual. O lançamento se deu em 2000, mas nunca é tarde para saborear uma grande obra!
Sinopse: Seu Wilson (Othon Bastos) e seu filho Neto (Rodrigo Santoro) possuem um relacionamento difícil, com um vazio entre eles aumentando cada vez mais. Seu Wilson despreza o mundo de Neto e este não suporta a presença do pai. A situação entre os dois atinge seu limite e Neto é enviado para um manicômio, onde terá que suportar as agruras de um sistema que lentamente devora suas presas.
Título Original: Bicho de Sete Cabeças
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 80 minutos
Direção: Laís Bodanzky
Elenco: Rodrigo Santoro .... Neto
Othon Bastos .... Seu Wilson
Vale a pena!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Recomeçar sempre!

Hi Sig!
Sumiu daqui, caramba! Por onde andou?
Olha, enquanto você vagava pela vida, muita coisa me aconteceu. Não aguentei mais a pressão dos meus sonhos sobre o meu consciente racional, e sucumbi ao Universo Psi. Isso mesmo que você está pensando...Fiz a prova da pós-graduação na UERJ, passei, e começo semana que vem minha jornada rumo à mente patológica alheia. Seremos colegas, meu caro!
Não foi uma decisão fácil...estou deixando minhas velhas ferramentas ortopédicas com tristeza. Foram 13 anos, dos quais, uns 10 foram especialmente felizes...Sei que sentirei falta. Centro Cirúrgico, congressos, mestres e amigos ficarão para trás. Mas era uma mudança necessária!
A verdade é que há muito, suas teorias e seus ideais vêm me influenciando constantemente. Minha mente estava envolta em um turbilhão de questões acerca dos mais variados assuntos ligados à área Psi...Como resistir a essa descoberta?
Sei que minha escolha por tão engenhosa mudança envolve riscos das mais diversas ordens. Sei também que estarei começando do ponto Zero. E isso não é tarefa fácil, para quem já construiu uma estrada muito bem pavimentada. Sei que as curvas serão sinuosas a partir de agora. Mas ainda assim, meu sonho é maior...
Sig, não me repreenda, pois seu apoio será fundamental...agora mais do que nunca. Vejo pela frente períodos cíclicos, onde felicidade e entusiasmo se alternarão com cansaço e talvez, pródromos de arrependimento. Portanto, amigo, quero te ter ao meu lado quando isso tudo acontecer.
A verdade é que estou retomando minha busca por um sonho antigo, que desmoronou por incontáveis circunstâncias que me desviaram para o caminho das placas e parafusos. Me violentei por 13 longos anos, e apesar de ter sido muito feliz e competente, sentia que algo me faltava. Quando estreitamos nosso laço de amizade, eu pude perceber que curar o corpo, era pouco para mim. Eu queria mais...penetrar no submundo da mente patológica seria o meu grande desafio, minha verdadeira vocação.
E assim está sendo...e assim será...estou realmente dizendo adeus! Adeus a uma vida que passou, a pessoas que marcaram esta passagem (positiva ou negativamente), e principalmente, adeus a um universo de objetividade e exatidão, contrários a minha doutrina subjetiva e inexata.
Hoje, minha vida está ressuscitando. O recomeço é a marca de cada passo que dou...E recomeçar é sempre necessário a alguém que pretende viver a vida em sua plenitude. Pois o dia em que esse crescimento adquirido no eterno recomeço, se estagnar...é melhor fazermos as malas e aguardar que nosso nome seja chamado para embarcarmos "naquela" viagem sem volta.
Por essas e outra, Sig, conto com você para quebrar algumas barreiras naturais deste longo e maravilhoso caminho que estou começando a trilhar!
No mais, desejo a todos um recomeço constante, sempre que a vida impuser uma atitude de mudança. Desejo que tenham coragem suficiente para dizer: "Eu quero mudar, eu vou mudar e nada, nem ninguém me impedirá de viver o que está previsto em meu caminho!"
Obrigada, Sig...prometo fazer o meu melhor!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Gente! Olha só isso!

A-DO-REI !!!
Viram só.......Podem falar agora.........e sabe o que eu vou responder............ É REMÉDIO!!!!!
:P

sábado, 17 de janeiro de 2009

Rimbaud para quem entende...

"Existiremos divertindo-nos, sonhando amores monstruosos, universos fantásticos, lamentando-nos e censurando as aparências do mundo, saltimbanco, mendigo, artista, bandido, - padre!"
Arthur Rimbaud

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quando eu falo que tenho medo...

Esse acidente ocorreu em Nova York, e graças piloto e a Deus, é claro, ninguém morreu! Mas imaginem só que situação desagradável...e vc lá dentro...Afffffffff...Nem gosto de imaginar!
Prefiro assumir meu pânico e continuar "pagando o mico" de não embarcar, quando meu coração acende a luz vermelha que pisca avisando...MEDO,MEDO,MEDO...(como ocorreu em Setembro, quando íamos- Eu e Kiko -pra Ribeirão Preto-SP. E vou dizer pra vocês...tenho um marido de ouro! Bastante compreensivo.
Tenho medo de avião mesmo!!! E daí???
E viva o Belchior: "Foi com medo de avião, que eu segurei pela primeira vez na sua mão..."